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DO QUE NUNCA FLORESCEU


15 outubro 2017


Às vezes, é preciso pensar sobre tudo para entender as coisas.

De todas às vezes em que te mostrei as estrelas, você me dizia que elas estavam ali toda noite e que era normal. Para mim, elas me fazem enxergar o quão pequeno nós somos; elas me deixam sonhar. E a lua me faz escrever histórias - ou pelo menos criar algumas na minha mente. Você sempre achou isso bobagem e deixava isso transparente.Quando eu te mostrava o céu, enxergando o quão imenso e bonito ele era, você dizia que era bonito, mas normal. Você nunca enxergou a grandeza que eu vejo nessas coisas.

Quando eu me preocupava, queria você ali e ficava chateada por estar ali e me ignorando, você achava exagero. Bem, eu não sou boa em esconder meus sentimentos. Se eu decido que gosto de alguém, não existe um momento em que essa pessoa vai ser menos importante.Depois de tudo que me dizia, se continuava ali, mas não para mim, não conversando sobre o que quer que viesse na sua cabeça, ou o que quisesse falar, isso deixou de importar. Apareceram outras pessoas que criavam assuntos aleatórios, queriam falar comigo nos momentos que tinham e estavam ali, sem ir e vir, e não só às vezes, e aí você vinha perguntar porque parecia que deixou de importar.

Bem, pessoas intensas precisam de pessoas intensas, pessoas que queiram e sintam pra valer. Elas desistem de migalhas, de quem sente em um momento e no outro não. Eu era intensa demais para pegar esse monte de migalhas que era só o que conseguia deixar no meu caminho. Eu nunca guardei meus sentimentos. Eu sempre fui transparente. Eu transformava um passarinho em um conto que você respondia em uma ou duas palavrinhas. Eu era os meus sentimentos, eu queria a intensidade, algo real, e você tinha os seus momentos. Eu nunca quis momentos aleatórios para alguém sentir algo por mim. Eu sempre acreditei que o amor não vai e volta o tempo todo, não tem momentos em específico para existir. Você parecia ver ele como um ioiô, achando que podia me amar em um momento do dia e no outro não saber mais, querendo que eu continuasse do teu lado, com toda a intensidade que me desgastava, já que vinha de um único lado.

Eu aprendi que a minha intensidade não é um erro, embora você jurasse ser. Eu encontrei outras pessoas assim. As melhores pessoas que eu já conheci. Pessoas que me faziam acreditar no mundo e ter esperança. Que dividiram o mundo delas e me deixaram dividir o meu. A essas pessoas, todo o meu amor. Aos que não conseguem se permitir a intensidade, eu só espero que um dia consigam. A sensação é boa, é incrível e vale por mil conversas dessas que parecem entediadas e comuns.

Eu dividi a minha intensidade, você devolvia suas migalhas. E isso nunca foi para mim.

Eu inventava significados, tentava deixar o mundo um pouco mais colorido e você nunca enxergava além das mesmas coisas de sempre. Eu tentava imaginar histórias, e você dizia que era só uma outra pessoa, uma outra casa. Pra mim, sempre foi mais uma história e não uma coisa sem significado.

Você teimava tanto com as minhas cores, que o seu mundo que insistia em deixar cada vez mais preto e branco conseguia apagar um pouco das cores do meu. Você nunca admitia seus erros, nem tentava entender outras visões que não as suas. Você nunca entendeu o significado daquela minha música especial. Eu te expliquei, e você insistia que não tinha nada demais, que era bonita, mas só uma música. E eu te dizia que ela sempre representou, pra mim, o momento em que transformei meu mundo de cinza para as cores. Você nunca entendeu o significado; eu sonhava.

Você nunca entendeu a minha ansiedade. Sempre que eu ficava nervosa e transformava uma coisa simples em uma confusão, dizia que era um problema meu e que era porque eu queria. Eu podia estar com a mão fria, tremendo e inventando mil coisas na minha cabeça para uma coisa simples e você dizia que era porque eu queria. Você nunca quis entender ou ajudar. Mas vou te dizer agora, eu sempre quis que coisas simples nunca se tornassem um amontoado de coisas na minha cabeça. Eu nunca quis ter esse monte de pensamentos que me faziam tremer e soar frio. Mas eu me ajudava, eu tentava me acalmar, meus amigos tentavam, quando você só pensava em se afastar e tratar como algo que eu queria. Você nunca quis entender. Eu passei tempo demais achando que perdi algo. Eu nunca tive, não com você. Eu dividia meu mundo, te entregava intensidade e amor, e você me devolvia essas migalhas, esses sentimentos que vacilavam o tempo todo e você insistia em chamar de amor. Eu tô bem. Minha intensidade sempre me deixou inteira. Você não ficou feliz em me ver feliz, mas respirou o suficiente e notou que sentia falta de algo que sempre conseguiu diminuir, aos poucos. Essa sua falta de amor, o real, me fez parar de sentir o que sentia, aos poucos, por você, mas não pelo mundo.

Essa suas migalhas sem intensidade alguma não vão te trazer nada real e intenso. E de todo o meu coração, eu só te desejo o bem. Eu espero que você encontre as cores um dia, mas, por favor, não tente me chamar de exagerada por conseguir sentir algo que você nunca se esforçou para ter ou sentir. Eu enxergo cor e vida, e me sinto mal em tentar imaginar o que você vê quando olha para a frente. Se isso pra você é exagero, espero que o mundo todo seja exagerado e cheio de sentimento. É melhor do que essa falta de cores e sentimentos que você guarda dentro de si mesmo. Se um dia encontrar as cores, espero que tome um café, um suco, o que quiser, pense muito além do que conseguia e lembre de mim. E se isso acontecer, eu só espero que sorria e seja feliz nessa vida. Agora, tente respirar, olhar para si mesmo e abrir os olhos; abrir de verdade. Encontre a felicidade nesse jardim imenso que a gente chama de mundo. Sei que achava as flores que eu plantava exageradas, mas, assim como o meu jardim sempre floresceu, espero que o seu também floresça um dia.

RESENHA: O GAROTO QUASE ATROPELADO


01 outubro 2017


Escrever uma resenha desse livro parece algo simples, se fosse pra resumir a historia seria mesmo. Um garoto quase atropelado que passou por vários problemas em sua vida e desde então sofre de depressão. Para tentar se recuperar ele passa a escrever em seu diário e é nesse momento, o momento em que sentimos a mesma dor que a dele, que somos guiados por uma narrativa que nos ensina o que tem de melhor na vida. A sutil diferença entre estar vivo e viver.

Logo após sofrer um quase atropelamento, ele conhece a garota cabelo de raposa e seus dois amigos. Uma menina de cabelo roxo e um menino que não era lá tão bonito assim. Mal sabia ele que esse encontro mudaria totalmente seu modo de pensar e agir.

Como eu disse, vendo por esse lado parece uma historia fácil e simples. Um garoto que aprende muito com as novas amizades. Pensei isso quando li a sinopse e tive um choque de realidade conforme ia lendo as páginas, descobrindo a escuridão por trás daqueles sorrisos.


Vinicius descreveu os sentimentos daquele grupo de forma tão profundo que em vários momentos me pergunte se aquilo não poderia ser uma historia real. E sabe o que mais? PODERIA SIM. Pois aqui encontramos abuso, homofobia, bullying de uma forma tão real e crua que segurei o choro. Me peguei pensando como o mundo é uma grande merda e como, muitas vezes, sair de toda essa bagunça não depende só da gente. Não importa o quanto nos afogamos. Dia após dia. Se não tivermos algo para nos apoiar e conseguir escapar da água fria, ficaremos boiando pelo mar. E é nessa situação que, penso eu, muitos jovens se encontram. 

Eu não sei se um dia conseguirei passar todos os sentimentos que me percorreram com a leitura desse livro porque o que estava me guiando nessas linhas não era a imaginação. Era a verdade. O garoto quase atropelado não é um livro para ser lido, mas para ser sentido. Uma historia para mergulharmos de cabeça, mesmo que doa, pelo menos vamos saber que existem dores piores.

Os personagens são fictícios, mas as historias presentes neles são tão reais quanto a nossa.


LIVRO: O GAROTO QUASE ATROPELADO
AUTOR: VINÍCIUS GROSSOS
PÁGINAS: 272
NOTA:          
EDITORA: FARO EDITORIAL
LIVRO ENVIADO PARA RESENHA

RESENHA: NO REVERSO DO VIÉS


27 setembro 2017


Eu não sou a melhor pessoa para resenhar livros de poemas, mas vou dar o meu melhor pra vocês.

No Reverso do Viés é composto de várias coisas; de rimas, de orgulho, de homenagens, de vida. Cada poema retrata um sentimento intenso. Eu decidi que pra fazer essa resenha, algumas vezes, vou pegar um trechinho de alguns poemas e falar um pouco sobre o que eu entendi deles. Há muitas dedicações, homenagens, que já podem ser notadas desde o início do livro, como em Profissão de Fé: 


 "Vai costurando vacuos e versos 
 em frágeis leituras e poemas imersos
 Nas entrelinhas da obra quase inacabada". 
                            Página 33.

Há vários jeitos de interpretar um poema, e dificilmente uma pessoa vai pensar como a outra ou entender o mesmo significado que ela, mas, do meu ver, esse poema fala de alguém (kapi) que também era poeta e que foi homenageado com uma escrita simples, mas cheia de sentimento, sobre o poeta que é. No decorrer das páginas, a autora faz várias outras homenagens cheias de sentimentos.



É possível ver que através das palavras ela vai se encontrando e compartilhando muitos sentimentos com quem lê a obra. Um desses sentimentos é o orgulho, o orgulho afro- brasileiro que ela carrega com ela, como podemos ver em Jogo de Búzios, Meninas de Iemanjá, Canjerê e em outros; mas o que mais me chamou atenção foi Ancestrais, que é uma referência para o Dia da Consciência Negra.

 "As coisas que não vivi
 Me foram dadas por memória
 De espírito reencarnados
 Nos gritos de nossa história".
    Página 61.

O livro possui poemas em que a autora fala de cidades onde morou, de histórias, da infância, mais homenagens. No poema La Paz, ela faz uma observação onde é notável o gosto dela em escrever sobre isso.


 "Revejo fotos envelhecidas
 como quem atualiza o passado".
   Página 79.

 Em Maturação, tem um trecho que me fez viajar e refletir bastante.

 "Deixe passar o verão, meu amor,
 que a gente há de ver a flor de outono
 brotando nossos frutos e refazendo
 o que há de novo, a nascer e usufruir".
                   Página 89.

Esse trecho me lembrou bastante os momentos na vida da gente, como quando estamos tristes e achamos que aquele momento nunca vai acabar, mas aí aceitamos e vemos o momento passando e um novo dia pela frente, uma nova chance. Parece um conselho de uma amiga íntima que olha para todos e diz que é preciso deixar as coisas irem para perceber as que estão chegando.

O último trecho que eu quero mostrar me chamou bastante a atenção e fala mais ou menos a mesma coisa. É um trecho de Apocalíptica, e diz assim:

 "A vida é agora ou nunca (?)".
      Página 84.

Esse trecho pequeno e simples me fez refletir sobre o poema todo, que, no meu ver, diz que o que aconteceu ontem de manhã já aconteceu, já passou, e que se uma folha voou, que deixe a folha e olhe para frente, para o presente, afinal, "a vida é agora ou nunca?".

O livro é bem curto, mas o que é escrito nele faz uma grande diferença. O que mais me chamou a atenção foi o orgulho da autora por quem ela é, pela cultura dela. É uma coisa muito bonita de se ver, de se ler. No Reverso do Viés é um livro simples, mas completo e cheio de vida, história, orgulho e sentimento.


LIVRO: NO REVERSO DO VIÉS
AUTORA: AMÉLIA ALVES
PÁGINAS: 113 
NOTA:         
EDITORA: IBIS LIBIS
LIVRO ENVIADO PARA RESENHA

APENAS UMA GAROTA NO TREM


24 setembro 2017


Gosto de olhar para a janela e observar as pessoas. Suas expressões, seus rostos, suas vidas. Imagino se elas são mais felizes, se elas sentem o mesmo que eu, se algum dia virão a sentir. Imagino nomes, histórias e finais felizes do jeito que quero. Talvez seja minha forma pessoal de me consolar. De fechar os olhos e fingir que não estou sentindo o que estou agora. Esse vazio. Essa sensação de que minha vida se perdeu e eu não sei o exato momento que comecei a deixa-la ir ladeira abaixo. Talvez seja pra ser assim e isso me consome cada vez mais um pouco. Fico pensando onde estarei quando essas coisas me consumirem por completo. Estou tentando superar. Tentando achar um propósito nisso tudo e ai repito pra mim mesma que vou parar com isso. Mas no final? Acabo insistindo de novo e de novo. Parece que não consigo parar. Foge ao meu controle. Quase todas as vezes que fecho os olhos posso ver as imagens da minha vida no passado. Quando eu era feliz, ou pensava que era. Agora, já não faz mais tanta diferença. E toda vez que eu olhava por aquela janela, eu me via em uma mulher que nem ao menos conhecia. Me ligava a ela. Me fazia sentir do mesmo jeito que eu me sentia antes. Me fazia me sentir de um jeito que eu não sinto faz tempo e que sinto falta desesperadamente.


Não quero ser esse tipo de pessoa sabe? Sei o que as pessoas pensam. Está estampado na cara delas toda vez que me sento no mesmo lugar e observo as coisas pela janela. Está bem ali quando elas me lançam olhares entristecidos e até poderia dizer que de pena. É como se talvez elas soubessem o que estou passando, o que estou sentindo. Isso me incomoda porque ninguém pode imaginar como é. Como me senti, o que passei. O que aconteceu depois de eu ter meu coração quebrado. Depois de eu ter caído na real de que as coisas nunca poderiam voltar a ser como eram. Não, da mesma forma. E ai me pego chorando ou divagando no meio da noite, no meio do dia. Já nem tem mais um momento certo. Chego a me entorpecer para não sentir, não lembrar, não seguir em frente mesmo precisando. Tudo que eu tinha foi tirado de mim. As vezes vago pela rua, passo pelas pessoas ao meu redor. Passo pela vida que eu costuma ter. E desejo ardentemente tudo de volta. Sinto raiva, sinto ódio e sinto vontade de arremessar qualquer coisa que estiver a minha frente. Quero que isso acabe. Quero que todas essas lembranças possam ir embora. Eu não sou a mesma garota que eu já fui um dia. Não sou aquela garota cheia de planos e com a vida pela frente. Sou apenas uma garota que perdeu tudo. Uma garota que olha pela janela imaginando como as outras pessoas se sentem com medo de me encarar.

 Não demorou muito tempo para que o que eu mais tinha medo me alcançasse e quando me alcançou não pude acreditar. Talvez bem lá no fundo eu talvez soubesse e só não conseguia me deixar ver. Pude ver claramente por alguns segundos tudo que eu me fiz esquecer. Toda a ideia errada que tive. Todas as ilusões que criei. Tudo que pensava ser minha culpa e nunca foi. Não de verdade. Me fizeram acreditar que era por mim. Que eu era responsável e eu acreditei porque não conseguia me lembrar. Não conseguia distinguir. Mas agora que eu me lembro só me sinto com vontade de seguir em frente. Deixar essas lembranças pra trás. Esquecer de quem eu fui antes, de quem fui por um tempo agora e ser outra pessoa. Uma completamente diferente da que eu queria de volta. Por isso me sento em um lugar diferente e não olho mais para a janela. Não observo mais as coisas, não imagino vida alheias. Quero pensar na minha própria. Eu sou apenas uma garota que precisa ir em frente. Apenas uma garota no trem. 

Inspirado pela história do livro e do filme " A garota no trem" escrito por Paula Hawkins e inspirado também nos sentimentos de Rachel 
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